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Iluminação Natural e a saúde

  • arqeficienteconsul
  • 23 de jun. de 2022
  • 4 min de leitura

Por Arq. Dra. Daniela Cardoso Laudares Pereira


A luz natural é uma fonte de energia que proporciona inúmeros benefícios aos seres humanos. Ela tem sido associada à satisfação e ao bem-estar das pessoas, influenciando seu estado mental, humor, aspectos psicológicos e sua saúde geral. Além desses fatores, podemos citar a influência da luz natural no aumento da produtividade em ambientes de trabalho, na redução do consumo de energia e sua contribuição na busca pela sustentabilidade das construções.


A iluminação natural afeta o desempenho dos seres humanos em três aspectos principais: visibilidade, saúde e estado de espírito.

Verifica-se a influência da iluminação nas questões relacionadas ao esforço visual e aos efeitos biológicos, relacionados aos aspectos não visuais da luz.

O esforço visual causado por uma iluminação inadequada tem como consequências: perturbações visuais, cansaço visual, ofuscamento, dores de cabeça, variações no sistema nervoso, acidentes e erros no trabalho e diminuição da produtividade.


Os aspectos não visuais da luz, também conhecidos como efeitos biológicos da luz, interferem no sistema circadiano dos seres humanos influenciando fatores químicos, biológicos e comportamentais. O sistema circadiano funciona como um relógio biológico interno que regula diversas funções no corpo: ritmo de sono e vigília, temperatura corporal, e a secreção de hormônios como melatonina, serotonina e cortisol.

É possível verificar a influência da luz na regulagem química do corpo através da produção dos hormônios cortisol e da melatonina afetando, desse modo, o estado de ânimo dos seres humanos (Figura 1).



O hormônio cortisol é estimulante e a melatonina é relaxante. A ausência de luz provoca a produção de melatonina desacelerando as funções corporais, preparando o corpo para o descanso noturno. Nesta fase, o corpo secreta hormônios de crescimento que reparam as células durante a noite. Durante a manhã, o nível de melatonina no sangue cai devido à produção do cortisol, o hormônio do estresse que estimula o metabolismo e programa o corpo para as atividades durante o dia. Ao final do dia o relógio interno muda novamente, com a ausência de luz e a diminuição do nível de cortisol no sangue.


O relógio biológico poderá ficar desregulado se não houver exposição à luz suficiente durante o dia, ou ao contrário se houver a exposição em demasia durante a noite.

Nesse contexto, o equilíbrio do nosso corpo exige um tipo adequado de luz para que seja regulado corretamente pelo ciclo circadiano.

Qualquer fonte de luz interfere no ciclo circadiano, seja ela natural ou artificial. O efeito da luz no ritmo circadiano humano depende de vários fatores: intensidade luminosa, tempo de exposição, comprimento da onda, cor e horário de exposição. A luz natural tem possibilidade de interferir de forma mais efetiva na sincronização do ritmo circadiano, devido ao seu espectro mais equilibrado. Em sua ausência, podem ser usadas lâmpadas que forneçam quantidade de luz suficiente, de forma a conseguir resultados semelhantes à luz natural. Assim, é importante verificar os efeitos da iluminação artificial no ciclo circadiano, pois é possível alterá-lo de acordo com as características da fonte de luz.


Se o ciclo circadiano do indivíduo não estiver sincronizado com o ciclo da luz natural de 24 horas podem ocorrer distúrbios na saúde tais como: problemas metabólicos (diabetes, níveis de triglicerídeos e colesterol), de sono e cardiovasculares (hipertensão e doenças coronarianas), além de maior risco de câncer.


A falta de luz pode desencadear quadros depressivos, comuns em países próximos aos polos, durante o inverno. Essa depressão é chamada de Desordem Afetiva Sazonal (SAD) e apresenta como principais sintomas tristeza, irritabilidade, letargia, falta de sono e perda de apetite. Tratamentos feitos com altas doses de luz natural têm se mostrado eficientes no combate desta desordem. Também é possível tratá-la utilizando banhos de luz artificial com intensidades e comprimentos de onda apropriadas.


A exposição à luz natural tem um outro aspecto importante na saúde: ela permite ao corpo sintetizar a vitamina D, através da absorção de cálcio, fósforo e outros minerais, interferindo na formação dos ossos e no fortalecimento dos dentes.

O tipo de exposição e o tempo de exposição à luz a qual as pessoas são submetidas ao longo do dia geralmente são influenciados pela arquitetura do espaço construído. Os espaços próximos às aberturas das edificações possuem um potencial maior para a regulação do ciclo circadiano devido à entrada de luz natural, que possui intensidades maiores quando comparadas à luz artificial, proporcionando maiores benefícios.


Diversas pesquisas apontam para a predileção das pessoas a ambientes iluminados naturalmente e que possuem vista para o exterior. A iluminação natural está associada à ligação do ambiente interno com o exterior, interferindo positivamente no psicológico das pessoas. Ela nos conecta com as horas do dia, estações climáticas e épocas do ano devido à variação da luz natural sob essas condições.


Em função de todos os aspectos levantados neste artigo devemos considerar a influência do projeto arquitetônico no ciclo circadiano, através de variáveis ligadas às aberturas das edificações (orientação e dimensionamento), condições climáticas e as vistas predominantes, devido à integração do interior das edificações com o seu exterior.

Todos esses atributos interferem nas pessoas, produzindo sensações diversas que vão desde o estado de relaxamento até o estado de alerta e influenciando na percepção das mesmas sobre espaço que as rodeia.


Em suma, precisamos entender o impacto da iluminação nas atividades humanas analisando não apenas os aspectos visuais, estéticos e energéticos, como também a interferência na saúde e bem-estar das pessoas.










 
 
 

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